Cores na decoração infantil
Cores na decoração infantil
Brincadeira e diversão fazem parte do cotidiano de toda criança, e as cores têm um papel fundamental na construção do imaginário infantil. Elas interferem principalmente nos estímulos e efeitos psicológicos recebidos.
Causa e efeito
A funcionalidade do ambiente vai direcionar quais cores devem ser escolhidas e quais devem ser realmente evitadas. Não existe certo e errado na definição, mas cores inadequadas para determinadas funções.
Então, afinal de contas, quais cores devo escolher para o quarto do meu filho(a)?
Essa é uma das principais dúvidas na hora de criar um ambiente infantil. Além das preferências dos pais e da criança, é preciso considerar as funções, a psicologia, a harmonia das cores, as características do ambiente e a atmosfera que se quer proporcionar.
Função
As cores podem influenciar como nos sentimos criando atmosferas e ambientações com diferentes estímulos. Podem ainda dar peso visual aos volumes e proporções, valorizar e criar centros de interesse e até corrigir algumas imperfeições estruturais do espaço. Além disso, o sentimento de frio e calor podem ser alterados de acordo com a cor escolhida.
Alegre | Melancólico
Divertido | Tranquilo
Peso visual
Imperfeições ocultas
Centro de interesse
Frio | Quente
Psicologia
As cores interferem na mente e consequentemente no nosso estado físico. Por isso é tão importante direcionar nossa escolha para as sensações que gostaríamos de reproduzir no ambiente.
É importante notar que comportamentos e culturas diferentes vêm a simbologia das cores de maneira diferente. Para o que no ocidente pode ser uma cor pacificadora, para os povos orientais pode significar uma cor de luto, como é o caso da cor branca.
Sentimentos nas cores
Azul • É refrescante e conduz à tranquilidade. Em tons claros ajudam a acalmar e nos escuros levam à introspecção. Em tons vivos é estimulante e acinzentados trazem monotonia. Traz sensação de frio aos ambientes.
Violeta • Ajuda a desenvolver a sensibilidade e a percepção. Em tons claros criam atmosferas surpreendentes e nos escuros levam à introspecção e podem deprimir. Em tons pastéis e mais frios ajudam a ampliar espaços pequenos.
Vermelho • Extremamente estimulante, traz vitalidade, energia e agressividade. Em tons s escuros levam à irritação deixando o ambiente estressante. Em tons vivos é estimulante e pastéis são associados ao romance e à infância. Traz sensação de calor.
Laranja • É dinâmico e estimula a criatividade. Os tons claros trazem conforto e mais escuros levam à ação e ao movimento, sendo antidepressivo. Em tons vivos é estimulante e suaves trazem bem estar. Traz sensação de calor aos ambientes.
Amarelo • Leva à espontaneidade e à diversão. Em tons claros trazem acolhimento. Em matizes vivos é estimulante. Tem grande influência na percepção o tipo de luz que recebe, se natural ou artificial.
Verde • É refrescante e associada ao equilíbrio estimulando o silêncio. Em tons pastéis ajudam a relaxar. Os tons vivos trazem a sensação de natureza perto. É neutra na questão da temperatura (nem quente, nem fria).
Preto • É justamente a ausência de cor. Indica sobriedade, então é uma cor que deve ser pensada com outros elementos para ser introduzida na decoração infantil. Visualmente tende a diminuir os objetos.
Branco • É associado à claridade e alegria. Para não tornar o ambiente impessoal é preciso compor com cores. E pode ser usado com qualquer uma!
Cinza • Deve ser dosado com cuidado porque pode deixar o ambiente sem vida e depressivo. Traz sensação de frio aos ambientes e deve ser combinado com outras cores.
Marrom • É quente e indica conforto. As tonalidades claras ajudam a dar a sensação de acolhimento. Os mais escuros tem ligação com a terra e a natureza.
O ambiente
As características físicas do ambiente estão diretamente ligadas à escolha das cores. O quartinho recebe boa quantidade de luz natural? É um espaço grande ou enxuto? A textura e os materiais das superfícies refletem ou absorvem a luminosidade?
Um exemplo: um quarto com piso amadeirado claro com uma abertura de janela grande e dimensões amplas pode receber tonalidades mais escuras porque mesmo que estas diminuam a sensação espacial, a amplitude e a quantidade de luz não permitem um efeito claustrofóbico. Em um quarto com características contrárias esse efeito certamente deveria ser considerado, e assim a escolha seria por tonalidades claras.
A atmosfera
É preciso pensar em qual atmosfera você quer dar para o ambiente. Acolhedora? Dinâmica e estimulante? Luminosa ou não? Relaxante e calma?
Quando falamos do quartinho da criança o padrão é tornar a atmosfera acolhedora e relaxante, porque é direcionada para a principal função do quarto, que é o descanso. Então a escolha do esquema vai ser direcionado pelas tonalidades que trazem calma e não o contrário.
No entanto, cada caso é um. Se outras atividades são acrescentadas à função do ambiente, doses de estímulo são bem vindas se bem dosadas.
É por isso que os quartos infantis seguem uma faixa etária na composição das cores. Um quarto de bebê vai seguir um padrão de tons diferente de uma criança de 10 anos, por exemplo.
Harmonia na composição
A escolha da composição de cores deve levar em conta as características do ambiente, a atmosfera que se quer criar e ainda os sentimentos que essas cores trazem. Depois dessa avaliação, partimos para a combinação usando os esquemas:
Neutros
Combinação que usa preto, branco, tonalidades de cinza, bege e marrons. Nessa mistura de cores deve ser bem trabalhado o uso de texturas e materiais para criar um design interessante.
Neutras: tons de preto, branco, cinza e bege.
Monocromático
A partir de uma matiz pura, combina-se com diferentes tons dessa cor. Lembre-se que a tonalidade refere-se ao acréscimo de branco, preto ou cinza à cor.
Monocromáticas: tons de azul+branco e cinza
Tríades
Uma combinação divertida, que traz contraste e movimento! Aqui a composição deve ser observada na tonalidade para não pesar!
Tríade primária: azul+amarelo+vermelho
Análogas
Use a base de uma mesma cor com as suas adjacentes. Aqui pode ser ainda adicionado à composição matizes neutras (branco, preto ou cinza).
Análogas: azul + azul-arroxeado
Complementares
É um esquema que oferece inúmeras possibilidades de composição bem equilibradas, uma vez que utilizam uma cor fria e outra quente opostas no círculo cromático. Também pode ser usada uma cor adjacente à complementar, criando um composição mais interessante.
Complementares: azul+laranja
Diferentes fases
O quarto do bebê - 0 a 3 anos
É um espaço reservado para dormir, mamar, criar conexão e coordenação. A atmosfera deve ser de relaxamento e acolhimento. Então, tanto as cores como as tonalidades destas devem ser escolhidas para essa função.
4 a 6 anos
Existe uma necessidade maior de dinamismo e diversão. As atividades da criança já pedem uma transformação da atmosfera com cores mais vibrantes e fortes. Ainda assim a função de relaxamento/sono deve ser considerada na escolha das matizes.
7 a 10 anos
Centros de interesse e identidade já são definidas nessa idade. As preferências pessoais já fazem parte das escolhas, o que traz uma necessidade de adaptação de temas (se houver interesse) e cores. Além disso, a necessidade de mais espaço para armazenamento e adição de novo mobiliário podem influenciar na composição espacial, e consequentemente na necessidade de trocar a tonalidade por uma mais clara para ampliar visualmente o espaço.
Acima de 11 anos
Nessa idade as cores passam a refletir o temperamento do adolescente. É preciso tomar cuidado com os aspectos psicológicos de cores como por exemplo o cinza e o preto, dosando em composições de cores que amenizem tonalidades depressivas e estressantes.
Fonte: GURGEL, Miriam. Projetando espaços: guia de arquitetura de interiores para áreas residenciais. 5ª Ed. São Paulo: Senac São Paulo, 2002.
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